10 março, 2010

Delete

Quando algo na nossa vida não está bem só nos apetece poder fazer como fazemos nos nosso computador, seleccionar e premir a tecla delete, isso era bom porque no mesmo instante algo que nos preocupava deixava de o fazer, contudo, isso não é solução, porque para além de apagar aquilo que esta mal também iria apagar a lição de vida que retiramos do nosso problema, assim seriamos uns meros fantoches a brincar a uma vida.
A vida é para ser vivida independentemente com coisas boas e más, aliás é isso que faz a nossa vida ser tão interessante, podermos ter o poder de decisão nas coisas que fazemos é o que podemos ter de mais nosso.
Viver não é passar por momentos e esquecer mas sim vive-los e recorda-los sempre que disso tivermos necessidade, viver num mundo do faz de conta só para ter prazer ou para mostrarmos superioridade perante alguém não é um bom objectivo de vida. Não é esse o meu objectivo, o que pretendo em primeiro lugar é viver a minha vida sem nunca me arrepender do que vivi e recordando momentos que vivi sempre que necessário, sejam coisas que me alegrem ou talvez não.
Há dias que de certeza que premiria de certeza essa dita tecla só para deixar de pensar em alguns dos meus problemas, mas outro só tenho vontade de os fazer prolongar, é desses dias que eu me recordo melhor a que me fazem ser a pessoa que sou, no entanto os dias de mais tristeza são também dias de aprendizagem, nesses eu retiro as maiores lições de vida e principalmente fazem de mim alguém com carácter.

09 março, 2010

Battery charging

A minha boa disposição matinal tem um motivo, em primeiro lugar sou uma pessoa que dorme muito bem, depois tenho também um bom acordar, mas o que me faz mesmo acordar bem-disposto são factores influenciados pelo dia anterior.
No fim de cada dia eu gosto de fazer algo que me agregue, chamo a isso carregar pilhas da boa disposição, ate á bem pouco tempo tinha apenas um par de maneira de o fazer, mas á medida que me vou conhecendo vou também conhecendo novas maneiras de o fazer.
Uma das coisas mais antigas que uso para este efeito é dedicar uma hora do meu dia para fazer algo que gosto, sozinho, de maneira que possa pensar nos meus problemas. Uma outra coisa que me anima é ouvir musicas que me trazem boas recordações, esta deve a ser a mais utilizada pela maioria das pessoas para levantar o ânimo. Ultimamente reparei que o sol brilhante no céu pela manha me dá um outro vigor para o dia que me espera, este é um factor mais difícil de controlar, porque nem sempre temos aquele dia lindo que gostaríamos. Por fim, e este é a minha mais recente maneira de me animar para o dia seguinte, esta tem estado camuflada no meio da minha rotina, por isso é que me demorou mais tempo a perceber o porque de andar muito bem-disposto nestes últimos dias.
O que acontece é que tenho dado muito mais atenção á amizade, e nesse campo tenho tido bastantes boas conversas, com diversas pessoas, conhecer novas pessoas e ter uma boa conversa é algo que me tem animado mesmo muito, tem sido a mais um saco de gelo na minha vida.
Ter uma boa conversa é um bom caminho para andar bem-disposto, mas como é óbvio nem todas as pessoas causam o mesmo efeito em mim, umas mais que outras mas todas me ensinam algo, umas mais que outras mas todas me animam e umas mais que outras mas todas me fazem feliz, é por isso que tenho mantido essa ligação, que tenho mesmo antes do meu pequeno sono, porque há coisas que sabem bem melhor que dormir.
E todos os dias apesar de acordar com algum sono, acordo muito mais bem-disposto.

08 março, 2010

Cabeçada

Quando damos uma cabeçada em algo ficamos com dores e metemos gelo, o gelo só vai fazer com que não fique pisado, não vai tirar a dor, essa dor só desaparece com o tempo. Não há nada a fazer, por muito gelo que ponhamos a dor está sempre ali.
Na vida acontece o mesmo, por vezes damos cabeçadas, o grande problema é que as cabeçadas da vida demoram um bocado mais a passar, mas em contrapartida tem uma coisa a favor, é que quando damos uma cabeçada na vida, quando a dor passa nós aprendemos alguma coisa que nos fortalece, é por isso que as cabeçadas da vida são boas, porque por muito que possam does também nos ensinam muitas coisas.
Numa das minhas muitas cabeçadas, na qual ainda ando com um saquinho de gelo para ver se os estragos não são muitos, aprendi uma das coisas mais importantes da minha vida, por muito invisível que fosse a parede eu nunca deveria lá ter batido, foi certamente uma das cabeçadas com mais estrondo, mas também aquela que me fez abrir os olhos tal foi a dor que causou.
A dor ainda não passou toda, já na falta muito e de certeza que não vai ficar pisado porque deram-me muitos sacos de gelo nestes últimos dias que dava para congelar um mamute.
Esses sacos de gelo tem sido o meu suporte nestes dias difíceis, é aqui que se vê quem realmente gosta de nós, da maior parte delas eu esperava isso mesmo tendo dado a cabeçada contra eles, mas outras tem sido uma alegre surpresa, daquelas que não estava a espera, mas isso é só mais um acréscimo daquilo que a vida nos reserva.
É bom sentir que há sempre alguém com gelo para nós quando precisamos, foi este o melhor analgésico que me podiam dar, com este estou a ultrapassar a dor que ainda sinto.
Espero um dia poder retribuir o gelo que tive agora, farei tudo para que isso aconteça, em ralação á minha cabeçada, tenho a certeza que não vai voltar vai acontecer porque só bate duas vezes no mesmo sitio que quer.
Eu não quero bater no mesmo, e essas pessoas importantes para mim não merecem essa cabeçada, nunca mereceram, por isso é que são assim tão importantes.

07 março, 2010

Mais uma vez...

Ainda não foi hoje que morri, por hoje entenda-se á uma meia dúzia de horas atrás, se ainda estou vivo, posso adaptar aqui aquela máxima, o que não me mata torna-me mais forte, foi mesmo isto que eu senti hoje, não poderia esta noite ter começado de melhor forma.
Tenho de falar sobre o que me aconteceu, primeiro alguém tinha de se lembrar de mim, não é que não me lembre das pessoas, mas há coisas que estão melhor como estão, e quando optamos por um caminho não podemos estar sempre a olhar para trás, estou farto disto, deixa-me em paz, se tomas-te uma decisão tens de saber lidar com as suas consequências, custa, e custa muito mas só custa ao inicio, e já chega, o meu inicio tem sido muito longo, como é que eu posso ter uma vida normal se constantemente me fazes lembrar algo que me custa tanto, esquece, pensa que eu não existo, estou cansado de reviver memorias que já não me dão o mesmo sentimento.
Um outro assunto, posso ser eu muito esquisito e acredito que seja, mas há coisas que acho correctas e outras não, e nesta parte hoje foi um dia virado para as situações desagradáveis, eu sei que ninguém me deve nada, mas ao criar expectativas tendemos sempre a esperar que as pessoas nos dêem tanto ou mais do que queremos dar, contudo isso muito raras vezes acontece, e hoje não foi excepção, tenho pena, tinha criado uma expectativa bastante grande e fiquei mesmo desiludido, não estou a culpar ninguém porque isso só aconteceu porque eu elevei demais a fasquia, é o meu triste habito de pensar que somos todas boas pessoas, é o lado em que eu sou bom demais para as pessoas, mas é como sou.
Foi um fim de dia mesmo desagradável, como é óbvio e na condição que me encontro o sentimento de tristeza é multiplicado por dois, mas o que isto me faz crescer é multiplicado por dez, porque pode me ter custado muito, e custou, mas já não sou uma pessoa que se lamenta sem fazer algo em contrário, cada vez mais me convenço que já não vale a pena fazer certas coisas.
Quando era mais novo ouvia dizer, se queres as coisas bem-feitas tens de ser tu a faze-las, este não é bem o caso, mas pode ser aplicado, porque cada vez mais eu percebo que a única pessoa que pode fazer algo que me agrade sou eu mesmo, é triste eu dizer isto porque imaginava pessoas bem mais humanas, mas vejo que é tudo faria do mesmo saco.
Eu sei que não me deves nada, não somos mais do que simples conhecidos, mas fiquei triste, desiludiste-me.

06 março, 2010

Memórias

É incrivelmente estúpido a forma como reagimos a determinadas situações, vejo o meu passado e descubro no meio das minhas memorias momentos inacreditáveis, memorias de um dia, memorias de um tempo, memorias de alegrias, alegrias vividas, alegrias passadas e agora nada mais são do que meras recordações, recordações alegres ou talvez não, recordações de tempo, de vida e as mais marcantes de pessoas.
Nada na vida nos pode deixar triste, nada do que façamos é mal feito, porque tudo aquilo que fazemos tem um motivo, obviamente este motivo pode deixar de ser válido, mas temos de pensar que se um dia fizemos algo é porque tínhamos um motivo para isso, é por isso que nunca nos devemos arrepender do que fazemos.
Reviver um passado é muito mais que recordar, é recuar no tempo, é ver tudo o que vimos, é sentir tudo o que sentimos, reviver é sentir a alegria que um dia sentimos. Apesar de nem todas as nossas memórias agora nos fazerem sentir o mesmo que sentimos antes, faz-nos sempre sentir aquele momento.
As nossas memorias são aquilo que nos define, são aquilo que nos faz, são quilo que fomos, mas mais do que isso são a nossa historia, uma historia que continuamos a contar, com ou sem a ligação a momentos passados, assim podemos viver a nossa vida separando-a por capítulos, em cada um desses capítulos está um bocado de nos, um bocado de vida, mas também um bocado de historia, por muito que nos custe por vezes virar a pagina e escrever outro capitulo, é o que por vezes temos de fazer, nem que este não tenha todas as palavras, isto porque há capítulos que tem de terminar antes de terminar a historia. Há capítulos que nos marcam e é com estes que mais aprendemos, mas num determinado momento há que saber onde colocar o ponto final.
Vou escrevendo um novo capítulo, com novas palavras e novas ideias, mas nunca sem esquecer os anteriores capítulos, pois este é um seguimento dos anteriores, sem eles eu não poderia escrever um novo, este novo não é nem melhor nem pior que o anterior, mas sim com outras palavras, palavras essas que são escritas também com nova tinta. Estas mutações devem-se ao facto de este ser um capítulo com outra maturidade, esta apenas conseguida pelo crescimento durante as últimas memórias.
Neste livro que vou escrevendo vou aprendendo como escrever, vou fazendo o que ainda não fiz, vou vivendo o que nunca vivi, e recordando o que já escrevi mas nunca apagando o que já senti.
Sinto uma alegria enorme ao recordar aqueles momentos, fico contente por tê-los vivido, mas entristece-me não poder sentir o que senti, viver é muito mais que recordar, e apesar de recordar me fazer feliz, já não é a felicidade completa, porque essa só a sinto no presente. Presente esse que é só de mim depende mesmo que nele viva mais alguém.