19 março, 2014

Carta ao meu pai

Olá, espero que esteja tudo bem contigo, nós por aqui continuamos na normalidade de uma vida rotineira, os dias passam a voar e o tempo que temos para nos lembrarmos das saudades é tão escasso que nós esquecemos que a distância que nos separa é tão grande.
Escrevo-te apenas para te agradecer tudo aquilo que fizeste por mim até hoje, mesmo que por vezes parecesse que não tinha necessidade de ser assim, mas agora eu percebo que não podia ter recebido os melhores ensinamentos.
Nos últimos seis meses tudo aquilo que tenho ouvido da tua boca começou a fazer sentido, e agora, mais do que nunca eu só posso ter agradecimentos por tudo. 
Na minha infância nem sempre tive o que queria, mas isso não fez de mim mais pobre, nem sempre passei as férias que desejava mas isso não fez de mim mais feliz, nem sempre ouvi um sim quando gostaria, mas mesmo assim continuei a viver, nem sempre ouvi o que gostaria, mas isso não me fez revoltar, tudo isso porque havia sempre uma afirmação, "um dia tu vais perceber". Esse dia já chegou, e agora eu percebo, que fazer-me lutar por aquilo que quero, aprender algo útil durante as férias, dar valor aos "sim's" da vida, dar valor ao que nos dizem seja bom ou mau, e muito mais.
Por tudo isto e por todos os bons momentos que passamos juntos, um muito obrigado por fazeres de mim que sou, por fazeres de mim um homem responsável e humilde.
Hoje a distância que nos separa é mais do que nunca mas o que mais importa não são os quilómetros mas o lugar que ocupam as pessoas no nosso coração, mesmo que eu saiba o quanto te custa esta distância, agora é a minha vez de dizer, "um dia vais perceber".
Obrigado mais uma vez por tudo, agradeço do fundo do coração tudo aquilo que me tornou no que sou hoje, para ti, um grande abraço cheio de saudades.
Adoro-te pai!

17 março, 2014

Bandeira branca

Ok, eu confesso, tenho perdido a paciência facilmente nos últimos tempos, e a culpa é minha, tento encontrar uma desculpa para esta minha atitude mas não posso esconder-me por detrás dos problemas do dia-a-dia.
Peço desculpa pelas minhas atitudes pouco flexíveis e por todas as vezes que não soube reconhecer que estava errado.
Tenho descarregado toda a minha ansiedade na única pessoa que está ao meu lado e isso não é correcto mesmo que tenhamos prometido que somos um casal nos bons e nos mais momentos. Sabes bem que estas minhas reacções não são contra ti mas contra a revolta que venho criando, tu sabes que as coisas se recompõem quando aquilo que quero se realize.
Eu assumo as responsabilidades e peço-te desculpa por ser demasiado rígido contigo, sabes bem que não sou assim. Desculpem vir para aqui escrever para alguém particular mas este é o meio pelo qual as desculpas devem ser enviadas.

P.S. Espero que desta vez não hajam erros!

15 março, 2014

Adaptação

O tempo passa e vamo-nos habituando ás condições que nos são impostas mesmo que não sejam as mais confortáveis para nós. 
À quase seis meses que comecei num emprego que não é aquilo que desejo, mas a convicção sempre foi mudar, no entanto, e na espectativa que algo melhor apareça, o tempo passa e foi-me habituando a esta nova rotina.
No início confeso que não foi fácil a adaptação, primeiro pela condições em geral de qualquer emprego, o levantar cedo, viso seis da manha, estava longe da minha realidade em Portugal, depois a maneira diferenciada de trabalho dos franceses e daquilo que o mercado exige, no entanto, com o passar do tempo tudo se foi tornando mais fácil e agora sinto-me á vontade com aquilo que faço é da maneira que faço.
Seus meses passaram e mesmo não tendo ainda alcançado o meu objectivo, tenho a convicção de que esta etapa me prepara para algo que virá depois, aguardo com expectativa esse novo desafio.
Por hoje já chega, mesmo que me tenha adaptado bem ao novo mundo, trabalhar ao sábado mata-me, esta semana vai ser complicada!

14 março, 2014

Poluição

Em dias de grande risco de poluição como os de hoje, os transportes de Paris passam a ser gratuitos para que as pessoas deixem os seus carros em casa, boa ideia, pensei eu, mas vamos lá a comparações.
Em Portugal esta situação não faz parte da realidade das empresas de transportes visto que antes da natureza estão os trocos, aqui pelos vistos estão um bocadinho acima.
Em Portugal caso ocorrece algo parecido, vamos falar das tão famosas promoções do pingo doce em que esgotaram todos os stock, se é gratuito, os portugueses aproveitam mesmo que não precisem, aqui a coisa foi diferente, por um lado mostra que não têm uma mentalidade mesquinha, por outro, o fluxo não foi assim tão maior, o que me leva a crer que os franceses, ou melhor, os habitantes desta cidade global não se preocupam muito com o ambiente.
Gostei da iniciativa e mostra que há já reocupação com aquilo que fazemos, no entanto três dias de transportes gratuitos não irá mudar muito. Eu seria mais de acordo com reduzir o preço dos bilhetes e aí íamos ter um aumento de passageiros, ou não!

12 março, 2014

De Paris para o meu mundo

França nunca foi uma escolha para mim, sempre desejei, se assim tivesse de ser um país mais relacionado com aquilo que amo, o design, Suécia estava no tipo da lista, assim como Inglaterra ou mesmo Alemanha, no entanto o destino trouxe-me aeg França contra tudo o que eu previa, mais concretamente a Paris, a chamada cidade do amor.
Hoje, os meus desejos foram-me roubados pelo acaso e Paris é a minha cidade de acolhimento, e os franceses os meus companheiros do dia-a-dia, e uma vez que cá estou, devo aproveitar aquilo que o destino me preparou. Não posso dizer que estou completamente feliz com a minha estadia, muito porque o meu desejo é trabalhar como designer algo que ainda não aconteceu, por isso, vezes sem conta vagueio sobre o assunto na vontade de procurar um sítio onde possa concretizar esse desejo, mas depois existe um peso na balança que me faz esquecer essa ideia.
Se Paris nunca foi a primeira escolha, depois de uma primeira abordagem bem positiva e agora já com alguns quilómetros disto, não há mais em que pensar, a começar pelo glamour e pela beleza da cidade, culminando com a grande torre de ferro, resta-me engolir em seco e admitir, Paris je t'aime!